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Economias mais maduras

Professor da Universidade de Brasília (UnB), o economista Roberto Piscitelli(foto) é taxativo: “A inflação se tornou uma obsessão para os brasileiros, porque foi uma experiência única no mundo. Não encontraremos nenhum país que, durante praticamente 40 anos, conviveu com a carestia como fizemos. Nenhuma outra nação deve ter criado tantos mecanismos e tecnologia para corrigir preços”. Por isso, recomenda ele, passada a primeira fase da estabilização econômica, o país precisa aprofundar o debate e levar a inflação para o nível de economias mais maduras e civilizadas — entre 2% e 3% ao ano.
 
A depender do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, essa discussão se aprofundará. Ele admite que, no estágio alcançado pela economia brasileira, a sexta maior do mundo, não haverá espaço para uma meta de inflação de 4,5% ao ano, com possibilidade de oscilar dois pontos para cima (6,5%) ou para baixo (2,5%). Treze anos depois de adotado esse regime, o país continua ostentando a maior taxa a ser perseguida pela autoridade monetária. Na visão de Tombini, ao longo dos próximos anos, o país terá de estipular metas menores, com intervalos de variação mais exíguos. Esse será o preço definitivo a ser pago para que o Brasil enterre de vez um passado que, no máximo, deve ficar restrito aos livros de história.
 
O problema de uma meta de inflação tão elevada é que, na prática, ela acaba funcionando como um piso das expectativas e vem sempre acompanhada de um prêmio de risco. Assim, defende Ilan Goldfajn, economista do Itaú Unibanco, será preciso coragem para buscar inflação menor, o que vai além dos desejos do BC. Trata-se de um projeto de governo, que passa pelo equilíbrio definitivo das contas públicas. Ao se engajar definitivamente na busca por uma inflação de Primeiro Mundo, o país também poderá se livrar de outra mazela: a indexação da economia. Como os índices são altos, todo mundo quer manter a correção dos contratos pela inflação passada. É uma bola de neve sem precedentes no planeta.
 
Enquanto o Brasil tenta ampliar as conquistas das últimas duas décadas, a juventude pode ao menos sonhar com um futuro sem sustos e de muitas oportunidades. O casal de namorados Rafael Oliveira e Juliane Carvalho, ambos de 19 anos, acredita que, nos próximos 20 anos, construirá uma sólida carreira profissional. E, melhor, sem ter de transpor as barreiras que seus pais tiveram de enfrentar. “Não vou desperdiçar o que a vida me oferecer”, garante Rafael. (Diário de PE)
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